Artes urbanas, cidade e cultura digital

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Artes urbanas, cidade e cultura digital

As artes urbanas reúnem hoje um conjunto de expressões e práticas urbanas com origens muito diversas. Manifestações recentes têm exercido um impacto significativo na paisagem urbana das cidades, onde as infraestruturas físicas e virtuais atuam e as modelam, entre contextos locais e globais. A comunidade artística apoia-se na Internet e nas suas plataformas para divulgar, promover e disseminar o trabalho artístico. Os artistas assumem cada vez mais uma presença simultaneamente online e física. Neste curso, propomos a reflexão e exploração das narrativas e simbologias que derivam destas manifestações no espaço público. Para tal, procuramos perceber, historicamente, como estas práticas se têm vindo a posicionar no contexto urbano, e que relações estabelecem com as plataformas digitais.

O curso assume uma índole teórico-prática, durante o qual serão abordados os conceitos, as genealogias, e práticas das artes públicas urbanas. Sabe-se que as audiências têm um papel cada vez mais determinante na nomeação de novos fenómenos artísticos, não cabendo unicamente aos académicos a criação de termos e descrição de práticas associadas. Também as imagens fotográficas se assumem como instâncias do trabalho realizado nos espaços públicos, que embora indexado ao original, adquirem um novo estatuto e novos significados ao serem disseminadas nas redes sociais. Considerando este enquadramento, serão discutidos os termos: street art, arte urbana, graffiti e arte pública. A cidade será analisada como espaço criativo, de apropriação de culturas urbanas, plataforma de processos participativos, interativos e agonistas, tornando-se uma inspiração privilegiada para as indústrias culturais.

Os participantes terão a oportunidade de desenvolver um workshop relacionado com as artes visuais urbanas e os meios digitais. Face à profusão de manifestações e práticas, durante o curso será também explorado o papel da cultura, educação e curadoria digital nestes contextos.

Objetivos do curso ULHT – UBI

Este plano de estudos proporciona diferentes insights sobre as expressões e práticas que constituem as artes públicas urbanas, sensibilizando os participantes para as práticas que vêm as cidades como lugares propícios à experimentação.

Propõe-se a introdução a temas fundamentais relacionados com a arte urbana pública, aferindo sobre o papel da cultura digital na sustentação do fenómeno. Consideram-se abordagens teóricas, críticas e práticas da arte urbana pública na contemporaneidade, bem como o legado destes movimentos e experiências nas cidades dos séculos passados.

Os participantes vão desenvolver competências introdutórias nas seguintes áreas:

  1. compreensão teórica sobre a arte urbana pública e os seus objetos, contextos e práticas
  2. criatividade e exploração de linguagens em contexto digital e experimental
  3. criação de conteúdos de enriquecimento curatorial, recorrendo a estratégias comunicacionais
  4. introdução ao domínio das tecnologias e da Internet na disseminação da arte urbana pública
  5. construção de estratégias e processos criativos que permitam criar e desenvolver projetos orientados para o mercado de trabalho e industrias criativas

Para tal, recorre-se estudos de caso globais sobre estas manifestações, tanto no registo institucional como espontâneo e, sobretudo, com ênfase na interação destas expressões artísticas com os lugares e as audiências, nomeadamente formas de participação e envolvimento das comunidades locais. Paralelamente, propõe-se uma abordagem a conceitos da comunicação e à relação da arte urbana pública com o contexto digital.

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
4 a 10 julho

Horário pós-laboral (18h-21h) sábado (entre as 10:00 e as 17:00)

Módulo I – Artes publicas urbanas – 10h

Conceitos, genealogias e práticas: arte pública, arte urbana, street art, graffiti. Casos de estudo.

A ambiguidade concetual em torno das práticas artísticas urbanas revela a necessidade de refletir criticamente sobre o posicionamento destes fenómenos na contemporaneidade. Para tal, importa considerar o legado mural das cidades europeias e a evolução destas manifestações através de casos de estudo multidisciplinares.

Docentes: Helena Elias, Inês Marques, Catarina Valente, Cristina Cruzeiro e José Guilherme Abreu

Módulo II – A cidade como espaço criativo – 8h

As cidades contemporâneas são alvo recorrente de atividade artística e performativa. Com a vaga de vanguardas artísticas do início do século XX, o espaço público afirmou-se como um working site, palco da criatividade artística e cuja interatividade com os lugares da cidade perdura até à atualidade.

A arquitetura de interação. Docente: Rita Ochoa. (3h)
Processos participativos. Docente: Sérgio Vicente (3h)

Curadoria e cultura urbana digital – 9h

A curadoria digital é o processo que permite relacionar todos estes fenómenos, exercendo frequentemente um papel de mediação. A curadoria digital resulta em estratégias e insights para a disseminação artística em contexto online, refletindo necessariamente sobre os objetos, práticas e contextos da arte urbana pública.

ulturas urbanas e usos do espaço público. Docente: Lígia Ferro (3h)
Curadoria digital e estratégias de comunicação. Docente: Catarina Valente (3h)
Workshop de Artes Visuais e meios digitais (3h)


Docente

Helena Elias é escultora e professora Auxiliar na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, investigadora no CIC-Digital Cicant e no Vicarte-FBAUL. Licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, MArts em videoarte, na Grays School of Arts, Abeerden, UK, e doutorada em Arte Pública pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Coordenou o projecto Public Art in the Luso-Brazilian cultural relationships ( http://artepublica.ulusofona.pt/) no CICANT. As sua actividades de investigação incluem a coordenação do projecto exploratório conribuições para o estudo do mural urbano em Lisboa e um projecto de investigaçao artística na FBAUL como bolseira de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Tem vários artigos publicados em actas de conferências e revistas, em temas como a prática do desenho e escultura, educação artísitca, e arte pública.

Docente

Sérgio Vicente é escultor e professor auxiliar na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. É doutorado em Arte Pública pela mesma universidade. Com obra pública em vários cidades, é investigador do Vicarte-FBAUL, onde desenvolve investigação na area da arte pública e participação cívica. Tem vários artigos públicados com enfoque nos processos criativos participativos na arte pública.

Docente

Catarina Valente é doutoranda e investigadora em Arte dos Media, pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Concluiu o Mestrado em Cultura e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com uma dissertação sobre o papel da mulher na arte pública. Anteriormente, realizou uma Pós-graduação em Comunicação de Tendências pelo mesmo estabelecimento de ensino, durante a qual iniciou o projeto “Mapa do Graffiti na Amadora”, uma plataforma digital que reúne um acervo visual com enfoque na curadoria digital de murais urbanos do concelho da Amadora. No seguimento deste projeto, colabora, desde 2014, com a Câmara Municipal da Amadora na curadoria e produção do projeto artístico-cultural “Conversas na Rua”, que se caracteriza pelo desenvolvimento de intervenções artísticas urbanas com a participação das comunidades locais. Periodicamente, exerce curadoria de exposições e outros eventos da mesma ordem, em simultâneo, com a produção de conteúdos em comunicação.

Docente

Inês Andrade Marques nasceu em Lisboa em 1976. É artista plástica e doutorada em Arte Pública pela Universidade de Barcelona – Faculdade de Belas Artes [2012]; tem o grau de Máster em Desenho Urbano [2008] pela mesma universidade e é licenciada em Artes Plásticas – Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa [2000]. Foi bolseira de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia [2004-2009]. É professora Auxiliar na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Lisboa, onde lecciona desde 2010. Tem vários artigos publicados em actas de conferências e revistas, em especial na área da arte pública.

Docente

Filipe Costa Luz é doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e professor de disciplinas de Pós-produção de imagem para cinema, animação e videojogos na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Desde 2007 que exerce funções de coordenação de licenciaturas na mesma universidade (Animação Digital e Aplicações Multimédia e Videojogos). Co-dirige o laboratório MovLab (Laboratório de Interacções e Interfaces) da Universidade Lusófona.

Participa frequentemente em projectos de investigação, publicando os seus trabalhos e organiza eventos de formação especializada em parceria com universidades estrangeiras (projecto Media e Erasmus+). Publicou o livro “Jogos de Computador e Cinema” e paralelamente à actividade lectiva, participa em projectos de comunicação visual para os mercados de entretenimento e publicidade.

Docente

Rita Ochoa – Licenciada em arquitetura em 1997 pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, Pós-graduada em Qualificação da Cidade pela Universidade Católica Portuguesa, Master em Desenho Urbano pela Universidade de Barcelona e Doutorada pela mesma universidade na especialidade de Espaço Público e Regeneração Urbana, Arte e Sociedade.

Entre 1997 e 2006 colaborou nos ateliers AMVLAB Arquitetura, Atelier Central Arquitetos e no Atelier Arco Cego, em Lisboa, no qual foi autora e coautora de projetos de arquitetura e urbanismo. Entre 2005 e 2006 trabalhou no Departamento de Gestão Urbanística da Câmara Municipal de Palmela. Pertence ao Centro de Investigação e Estudos em Sociologia do IUL/UBI e ao Cr Polis da Universidade de Barcelona.

Professora Auxiliar no Departamento de Engenharia Civil e Arquitetura da Universidade da Beira Interior, onde leciona desde 2006.

Como docente, tem vindo a desenvolver uma abordagem ao ensino do Projeto baseada no desenho de estratégias de interação com a comunidade, no âmbito da arquitetura e do desenho urbano.

Docente

José Guilherme Abreu é doutor em História da Arte Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

É professor convidado da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, Campus da Foz, no Porto, exercendo atividade de investi¬gação no Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes, da mesma Universidade.

Integra o Consejo Asesor da Revista Arte Y Ciudad da Universidade Complutense de Madrid, bem como o Scientific Commetee da Revista On the W@terfront, do Centro de Investigação POLIS da Universidade de Barcelona.

É Secretário da Associação Le Promeneur des Lettres, des Sciences et de la Philosophie, sediada em Paris, consagrada ao estudo da obra de Raymond Abellio.

Enquanto investigador, especializou-se em Arte Pública, sendo conferencista convidado em colóquios e encontros nacionais e internacionais.

É autor de livros e monografias editadas pela Universidade Católica Editora, pela Editora Nota de Rodapé e pela Cooperativa de Actividades Artísticas Árvore.

Docente

Lígia Ferro é professora auxiliar convidada do Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Recebeu o título de Doutoramento Europeu em Antropologia Urbana pelo Instituto Universitário de Lisboa, ISCTE-IUL, em 2011.

Atualmente é investigadora integrada do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto (IS-UP) e do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL, ISCTE-IUL), onde tem desenvolvido investigação na área das artes e culturas urbanas e migrações.

Publicou diversos textos em português, inglês, espanhol e alemão em formato de artigos e livros. É autora do livro “Da Rua para o Mundo: Etnografia Urbana Comparada do Graffiti e do Parkour” publicado pela Imprensa de Ciências Sociais em 2016.

Lígia Ferro é membro da direção da Associação Portuguesa de Sociologia e coordenadora da rede de investigação nº37, Sociologia Urbana, da European Sociological Association.

Docente

Cristina Cruzeiro é bolseira de Pós-Doutoramento da FCT com o projecto “Colaboração e Colisão: Intervenção pública e política da arte” no Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Professora Assistente Convidada na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

É investigadora integrada do IHA-FCSH e convidada do CIEBA – FBAUL.

Desenvolveu o doutoramento em Belas Artes, na Especialidade de Ciências da Arte com a tese “Arte e Realidade: Aproximação, diluição e simbiose no século XX” e o Mestrado em Teorias da Arte com a dissertação “A caminho da dissolução: A problemática da autoria na arte contemporânea”.

Foi bolseira de Doutoramento da FCT entre 2008 e 2012 e ao abrigo do Programa Sócrates-Erasmus, na Facultat de Geografia i Història, Universitat de Barcelona, Espanha.

Os seus interesses de investigação centram-se na relação das práticas artísticas com a sociedade em diferentes perspectivas, com especial enfoque para a articulação com a política.

Docente

João Miguel Real nasceu Lisboa em 1979. Atualmente Realizador e Director de animação do departamento EasyLab da produtora Take it Easy.

Colaborou como profissional de animação em várias produtoras nacionais como Sardinha em Lata, Bang Bang Animation, Animanostra, Praça Films, entre outros.

Esteve na produção de 5 curtas-metragens de animação subsidiadas pelo ICA (Instituto de Cinema e Audiovisual) premiadas Nacional e Internacionalmente e duas séries de animação com destaque internacional.

É Professor convidado de animação pela Universidade Lusófona e Universidade do Algarve.

Nota: Decorrerá na Universidade da Beira Interior (UBI) um curso de verão sobre Intervenções Públicas Urbanas, entre os dias 12 e 15 de Julho. Para mais informações, recomenda-se a consulta da página da UBI: http://www.ubi.pt/